“Atire a primeira pedra, aquele que não tem uma história para contar da velha figueira...”
Nossa famosa Figueira era uma árvore que cresceu de forma energética e deve ter sido cultivada por processo de semeadura feita com obtenção de sementes viáveis de figos. Isto ocorre quase sempre nos locais onde a figueira é nativa. Assim ela cresceu imponente e formosa, com seu caule de forma irregular e até mesmo escultural, com raízes adventícias e também superficiais. Em todos os casos são plantas lenhosas que podem ultrapassar 20 metros de altura, e suas raízes podem destruir muros e pavimentos com facilidade e por isso, não é indicado que se cultivem figueiras de grande porte perto de casas, pois o crescimento de suas raízes tem a capacidade de deformar as paredes das residências. Por fornecerem alimentos a aves, símios, morcegos e outros animais dispersores de sementes, têm importância na preservação das vegetações nativas tropicais e subtropicais.
Se voltarmos um pouco na história dessa famosa planta, poderá visualizar-se sua influência em nossas vidas. Dentre tantas histórias destacam-se algumas a serem citadas: A figueira do figo comestível foi a primeira planta descrita na Bíblia, quando Adão se vestia com suas folhas, ao notar que estava nu. Existe também uma parábola na “Bíblia Sagrada” que assim trata da figueira: “Quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão....(Mt 24.32-33).” O figo é considerado um fruto sagrado para os judeus. Ele faz parte dos sete alimentos que crescem na Terra Prometida.
Para os budistas a figueira Ficus religiosa é venerada pois, debaixo de uma delas, Buda alcançou a sua revelação religiosa. Na Grécia antiga o figo era considerado um importante alimento e a sua exportação era proibida, pois tinha seu papel de destaque ao lado do queijo e da cevada. Os maias e os astecas utilizavam a casca de figueiras nativas da região para produzir o papel utilizado nos seus livros sagrados. No Egito antigo o figo era o alimento usado para a engorda do ganso para a produção do fígado de ganso gordo e também no preparo de pães artísticos. No centro sul do Brasil encontra-se a figueira gameleira branca, ou fícus gomelleira, que é utilizada por suas propriedades medicinais.
Contudo, não nos cabe aqui relatar uma a uma de suas espécies, e sim retratar tamanha importância da mantença dessa árvore histórica e símbolo de muitas outras histórias de nossa cidade. Quem, morador de Porto dos Gaúchos, não tem uma história para contar ao lado da famosa “Figueira” do pátio da Escola Estadual José Alves Bezerra. Para se ter tamanha idéia de suas histórias, basta visualizarem quantas comunidades do Orkut tratava de relatos sobre esta imponente árvore simbólica. E se alguns consideram ainda o Orkut como passado, então vejam quantos relatos serão postados em todas as demais redes sociais que postaram ou ainda irão postar fotos e textos indignados com tamanha crueldade e descaso para com um símbolo histórico dessa cidade.
A pouco tempo atrás essa árvore foi também lembrada em slides de fotos que passaram durante a realização do Baile Anos 80. Para se ver que também naquela época, dávamos suma relevância a tamanho símbolo de nossa cidade. Tanto que até hoje, vemos essa árvore como símbolo presente na bandeira da Escola Estadual José Alves Bezerra... para se ver tamanha importância de tão monumental árvore.
Não queremos aqui crucificar ninguém, pois, também não sabemos ainda o real motivo que se levou a podá-la, ou melhor, cortá-la, pois é isso que vemos em todas as fotos já exposta na rede virtual. Será mesmo que seria necessário realizar esse tipo de manobra? Não teria uma outra forma de evitar-se sua destruição? Não caberia um tratamento especifico se houvessem sido consultados profissionais de órgãos competentes que regem do assunto? Será que não houve precipitação ao feito, no intuito até mesmo de evitar uma tragédia maior... mas, realmente, seria essa a única alternativa?
Hoje, vivemos em torno de pensamentos voltados à conservação da história, da preservação da natureza, da vida ecológica, enfim, em torno de um mundo que ainda pensa na preocupação de nosso amanhã... do que nossos filhos irão encontrar ainda, dessa natureza que aos poucos o homem vai destruindo... não só a floresta como também essas árvores que contam muito mais do que história, mostram enfim, a força que a terra tem, pois mesmo por baixo de um sol radiante, vem essa árvore imponente e mostra com sua força que ela esta disposta a crescer mais e mais, durante os longos anos que ainda lhe seriam úteis, mesmo na debilidade, esta, que por descaso e desinteresse acabou por forçar a essa atitude drástica de destruição da natureza.
Fica aqui um registro do ato praticado, e quem sabe possa-se fazer algo para que não acabem de vez com uma das histórias tão importantes como outras, que ainda serão retratadas.
Júlio César Rodrigues da Cunha – Colaborador do Porto Notícias
Comentários
Nome: Professor Gilberto
E-mail: betoprocopio65@hotmail.com
Publicado às: 30/11/2011 - 15:10:19
Cidade: Porto dos Gaúchos
Antes de se preservar fauna e flora, devemos preservar o homem, o humano, histórico são as pessoas de bem que fizeram a história de Porto dos Gaúchos, de Mato Grosso e do Brasil. Sabe-se muito bem que a tal figueira histórica, estava colocando em risco as nossas crianças, que tem para nós um valor muito maior que a velha figueira que deixou apenas lembranças. Não duvidamos da importância da natureza, tanto que temos projetos em nossa escola muito bem elaborado pelo Professor Reginaldo César onde vários ipês e outras espécies foram plantadas ao redor da escola. Logo a poda da figueira era necessária para manter a integridade dos pedestres e dos alunos que não queríamos que ficassem na história.
Nome: DANIEL LOPES
E-mail: daniellopesdirodrigo@yahoo.com.br
Publicado às: 30/11/2011 - 20:28:48
Cidade: CUIABA-MT
Certamente existe dentro dos atuais ambientes escolares coisas muito mais perigosas para as crianças que uma árvore. Mas é assim mesmo , certas decisões tomadas refletem bem o respeito aos sentimentos alheios. Essa árvore "destruída" entra para a mesma vala do desprezo que teve os restos do velho trator esteira ( um dos que ajudaram a abrir a estrada da Bahiana ) vendido a quilo para o ferro velho sem a menor consideração.
Parabéns Julio pelo grito de alerta . Muitas jovens familias de P. Gaúchos sabem oque essa árvore representa. Aos que defendem seu corte , fica o alerta do exemplo que estão dando aos pequenos alunos.
Nome: Heike K. Isernhagen Zeni
E-mail: heikekiz@hotmail.com
Publicado às: 01/12/2011 - 19:01:38
Cidade: Guarantã do Norte
Quando constatada realmente a necessidade de remover galhos ou troncos importantes de uma árvore adulta (no caso da figueira, quase centenária), para evitar acidentes, defender uma construção, uma rede elétrica, etc, este trabalho deverá ser feito dentro de uma técnica.Galhos e troncos deverão ser retirados de tal maneira que a cicatrização no local do corte seja rápido e eficaz,POSSIBILITANDO A RECUPERAÇÃO da árvore, tal qual um paciente após operação.
Assim feito a árvore seguirá vivendo.
Ao observarmos as fotos da chamada "poda" podemos constatar que não houve preocupação neste sentido.
Nome: Heike K. Isernhagen Zeni
E-mail: heikekiz@hotmail.com
Publicado às: 01/12/2011 - 19:23:06
Cidade: Guarantã do Norte
"Dias sem árvore"
- As árvores, meu filho, não tem alma!
E esta árvore me serve de de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
-Meu pai, porque sua ira não se acalma?!
Não vê que tudo em que existe o mesmo brilho?!
Deus pôs alma nos cedros...no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!...
-Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore,pai, para que eu viva!"
E qundo a árvora, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
Augusto dos Anjos
Poeta brasileiro (1884-1914)
Nome: Professor Valdeir Pereira e Ex aluno da Bezerra
E-mail: valdeirsinop@gmail.com
Publicado às: 02/12/2011 - 09:48:12
Cidade: Sinop/MT
Infelizmente, só tenho a lamentar. Gostaria muito de ver os estudos de engenheiros Ambientalistas que recomendaram o "poda", que analizando a fotos se parece mais com eliminação da mesma.
Na condição de ex aluno da Escola Estadual Bezerra, gostaria muito que tivessem estabelecido um debate verdadeiro sobre esta questão da poda e inclusive com estudo técnico que orientassem a ação.
A vida tem que ser preservada e concordo plenamente com isso, porém a história também tem que ser respeitada e a figueira da Bezerra fazia parte da história de Porto dos Gauchos.
Pela análise das fotos pode se perceber que a recuperação desses cortes "assassinos" não trarão a história de volta.
Ao escrever este comentário, reportaremos as árvores da avenida que, se não me falha a memória, fora utilizado o mesmo subterfúgio vazio e falho para justificar sua eleminação e poda descriteriosa.
Como diz Borris Casoy "ISSO É UMA VERGONHA."
Nome: Dulcinéia Morimã
E-mail: dd.morima@hotmail.com
Publicado às: 02/12/2011 - 01:44:05
Cidade: Cuiabá/MT
"Mas as árvores não guardam rancor. Trataram de continuar a viver ? e nos toquinhos surgiram brotos verdes, como um gesto de perdão." (desconhecido)
Nome: Ricardo
E-mail: ricardohubnner@hotmail.com
Publicado às: 12/12/2011 - 19:32:30
Cidade: PDG
cade a pedra ? eu atiro kkkkk
tem que dirruba mesmo \o