
As televisões, revistas e jornais só enxergam a retrospectiva do ano que está se finda repetindo imagens de acidentes, pessoas que morreram, de tragédias, brigas, assaltos e coisas do gênero.
Um monumento à inutilidade porque acabamos não aprendendo nada com o que está sendo levado ao ar, o que está sendo escrito ou falado.
No fechar das luzes de 2011, um ano difícil e cheio de incertezas, a novidade econômica que tomou conta das manchetes foi que o Brasil ultrapassou a Inglaterra em termos de PIB (produto interno bruto).
Parabéns? Sim. Tem gente estourando foguetes, principalmente aqueles que festejam até defunto morto não perdendo a oportunidade de celebrar, custe o que custar, qualquer coisa que valha uma cerveja gelada até a topada da bezerra.
A matemática é linda e fria, magnífica e constrangedora.
A saber, pela parafernália de números de fantasia, o governo corre maratonas para informar que estamos bem, que agora devemos olhar a Inglaterra pelo espelho retrovisor e que os ingleses não são mais aqueles.
Alto lá que a dor é mais embaixo.
Faturar mais não é faturar melhor.
Ainda somos um “paizinho” de quinta quando olhamos para outros números que fazem ruborizar qualquer inglês com vergonha na cara.
Deveria também fazer vergonha no rosto do Brasil, mas só faz cócegas e galhofa.
Sabidamente PIB grande com a distribuição criminosa de renda que temos por aqui não adianta nada, ou como diria meu pai “é a mesma coisa que esfregar sabão na cara de cavalo”.
Ou pela hora da morte amém os hospitais chiqueiros que brotam pelos cantos e que atendem pior que veterinários na fazenda para tratar bois doentes.
Moda mesmo não é PIB grande é PIB bem calibrado com a capacidade de vivermos bem, isso está tão longe quanto a galáxia de Andrômeda indo a pé.
Ou o que diria dos números da violência urbana?
Batemos também esse PIB brasileiro horroroso que coloca certas cidades nacionais classificadas como zonas de guerra com toda a população apenas tentando sobreviver num zumbido de balas traçadoras ou briguinhas de trânsito.
Mas cadê o peito ou saco roxo para desmontar todas as fábricas de armas e impedir a entrada delas em nossas fronteiras de peneira de buracos grossos?
O ministério da Saúde adverte: PIB grande, e agora o sexto classificado no mundo, faz mal à saúde se não dividi-lo com todos, - não com distribuição de vales coxinha que o governo insiste em perpetrar, mas pela oportunidade da educação que não existe mais.
Países pobres, mendigos e miseráveis, aqui mesmo na América Latina, tem PIB“s educacionais maiores e melhores que o nosso que está mais para um clássico exemplo de educação subsaariana.
Não vejo motivo para celebrar esse PIB maior que o da Rainha da Inglaterra.
No fundo esse PIB é mesmo só para inglês ver.
Não se pode atingir o sexto lugar nas economias do mundo com a população pagando os maiores juros até a mencionada galáxia de Andrômeda, impostos em cascata de fazer inveja a Sete Quedas.
Ouvi uma piadinha que diz que faz tempo que não se houve mais aquele papo de discos voadores. Também pudera.
Os alienígenas deixaram suas naves em locais proibidos e foram todos multados pelos “amarelinhos” da esquina, ou quando souberam que estavam sendo cobrados os IPVA atrasados.
Trataram de cair fora.
Nem a maior tecnologia deles suporta tal ganância nos dando como troca a moeda do deboche e sessões acaloradas do Congresso Nacional traindo-nos a todo instante com medidas idiotas e favorecendo a tão poucos.
Vi, sim, na retrospectiva de 2011, a justiça dar as mãos para a criminalidade na recente briga de galo entre os pesos pesados STF e CNJ, respectivamente Supremo Tribunal Federal e Conselho Nacional de Justiça. Assistimos o STF estender sua toga para cobrir atos ilícitos, falcatruas e crimes de seus pares e deixar o CNJ chupando o dedo.
Esse PIB é enorme. A justiça nacional a serviço das maracutaias de alguns amigos do rei que se servem da roupa preta empolada para surrupiar e roubar. Claro, tem togados e togados. A máscara que couber a cada um tipo sapato da Cinderela.
Agora pode tudo.
Ficha limpa só para os faxineiros e as copeiras.
Ficha limpa heim? Quem diria. Jader Barbalho tomando posse depois de conseguir dos seus amigos uma carta de alforria e ainda por cima incitou seu filho a fazer careta ontem (29/12/2011) nos jornais como quem dizendo “olha ai bobos, voltei, quem disse que eu não voltaria”?
Povo gosta de bandidos como seus bastantes representantes. Povo gosta não....povo ama bandido e gente à toa.
Qualquer pilantra treinado em Harvard, especialista em afanar, roubar e sacanear o dinheiro público, fazer piadinhas do povo que paga suas imensas contas é o alvo preferido dos votos. Homens íntegros, estudados, probos e trabalhadores só servem para aborrecê-los, por isso aqui continua sendo uma republiqueta de bananas.
Temos também outro PIB insuportável. Repararam que agora virou moda encher a cara pegar um carro super possante e matar pessoas até dentro das suas próprias casas?
E que depois do açougue e sangue no asfalto os criminosos ainda zombam da justiça?
E assim temos PIB’s enormes campeões de audiência tais como: a gasolina mais cara e ordinária do mundo digna de uma poção da Madame Mim dos gibis, a maior quantidade de impostos, alguns cobrados sobre si mesmos, a maior taxa de corrupção do lado oeste do Atlântico, os maiores salários de senadores e deputados com suas vastas mordomias que pagamos para sermos traídos, os maiores juros do mundo cobrados de qualquer dinheiro que gere empregos e renda, gigantescos lucros da rede de bancos brasileira, os veículos mais caros do universo, aeroportos sucateados, portos em petição de miséria como o de Santos.
E ainda tem gente querendo trazer a Copa do Mundo de Futebol para sermos também a nação mais ridicularizada dentre todas as outras.
O PIB, agora em sexto lugar, empata com outra coisa que está na mesma posição no ranking mundial: a sexta pior, ou melhor, equipe de futebol do mundo?
E um número PIB absolutamente campeoníssimo: o povo com uma estupenda capacidade de ser cordeirinho tolerando tudo isso sem ferver de raiva e sair fazendo uma revolução que não faz mal à ninguém e ainda pode colocar o Brasil nos trilhos certos. Não revolução de pólvora, mas de atitudes, comportamentos e pensamentos.
Vamos acender nossa churrasqueira que temos muito o que celebrar. Quem sabe aproveitar o carvão em brasa para queimar nossa cara de pau e nossa tolerância infindável de um país que está em sexto lugar entre os PIB“s mundiais e que caminha com a lanterninha na mão em termos de quesitos sociais, principalmente distribuição de renda, saúde e segurança. Um País como o nosso não poder ser feito apenas de matemática festiva e sim de comprometimento com as necessidades de muitos se sobrepondo às de poucos ou de uma só pessoa.
Povos que não costumam olhar e conhecer sua história pregressa corre o risco de repeti-la com pioras acentuadas.
Construir algo de bom com educação de lixo que temos espalhadas pelos níveis primário, secundário e terciário é repetir cenas de países medievais em que alguém que sabe ler e escrever escraviza os demais.
Nossa política faz isso. Coloca a ferros 200 milhões de brasileiros tirando-lhes a glória de escrever um futuro melhor para gerações que estão aí nascendo agora mesmo.
Desesperador.
Somos especialistas em copiar bobagens e moda alheia, palavras estrangeiras para definir coisas simples como arroz e feijão. Que tal copiar o que certos países fizeram como, por exemplo, a Coréia do Sul mergulhada numa pobreza marginal de cinema apenas vinte ou trinta anos atrás?
Vietnã, Tailândia, Cambodja são outros que fizeram seu dever de casa.
Porque temos que ser um país tão rico e pobre ao mesmo tempo galgando postos vergonhosos em tudo o que nos faz vergonha?
Ano de 2012 está no abre alas da parada carnavalesca brasileira.
Quem sabe aproveitarmos a chance de tomar uma resolução de ano novo de não tolerarmos mais a iniquidade, a sintomática quadrilha político/palaciana que nos atrapalha, a maltrapilha justiça brasileira que só coloca na cadeia pobres, pretos, pardos ou prostitutas.
O resto.... o resto vale tudo como diria Tim Maia.
Está na hora de mudarmos o conceito.
Afinal a conta dessa fuzarca somos nós que arcamos tirando leite de nossa mesa e colocando nas xícaras da pilantragem nacional não é?
Para acabar com isso basta uma aliança entre nós brasileiros pregando uma revolução completa comportamental e ideológica. Tudo começa na atitude individual e resto vem a barlavento.