
A novela da Globo é um grande sucesso, não há a menor dúvida disso. Frequentemente tem médias de 45, 46 pontos no Ibope. Mas, como quase tudo, não é perfeita e tem algumas falhas que depõem contra o autor Aguinaldo Silva.
Imperdível: relembre as pérolas do Crô
Ele detesta a crítica e vive falando mal dos “cri-críticos” (como ele mesmo se refere) que não acham Fina Estampa uma obra de arte, apesar de sua audiência nas alturas. Veja a seguir alguns elementos do folhetim que mereciam um capricho melhor:
Escorpiões
Com a morte de um namorado de Crô (Marcelo Serrado), os telespectadores ficaram sabendo que o mordomo de Tereza Cristina possui vários outros amores. E o pior: todos eles têm um escorpião tatuado no pé direito. A pergunta é: como assim? De repente, todos os homens decidiram que é legal fazer tatuagem de escorpião no pé? É uma nova modinha andar assim pelas ruas do Rio de Janeiro? Ou talvez seja melhor chamar algum controle de pragas para exterminar o bicho.
Irmã gêmea da Marcela
Essa é uma das maiores muletas do cinema e de novelas. Inventar um irmão gêmeo – ou parente que ninguém conhecia – é um recurso bem batido. A personagem deve aparecer em breve na novela.
Personagens sem sentido
A novela tem uma série de personagens que não têm a menor função e que não precisavam estar na trama. É o caso, por exemplo, de Gigante, vivido pelo ator Eri Johnson. Assim como ele, há outros na mesma situação: o que faz a tal da Deusa? Se for só uma bela paisagem para ser observada, ok. Isso sem comentar o Mágico interpretado pelo marido da Susana Vieira. Função zero para ele.
Caio Castro
Ele interpreta Antenor, filho de Griselda (Lília Cabral) e é uma das jovens apostas da Globo. Mas Caio Castro deixa a desejar em vários momentos da trama. Quando é necessário que ele mostre mais dramaticidade, a coisa desanda de vez. Isso sem dizer que o ator parece estar sempre interpretando a si mesmo. Você não vê um personagem ali na tela, vê apenas o próprio Caio.
Burrice de Teodora
Aguinaldo Silva poderia ter dado mais inteligência a Teodora, personagem de Carolina Dieckman. A mulher se apodera de uma tesouro valiosíssimo que é procurado há tempos por Pereirinha (José Mayer). Ela vende tudo e recebe uma fortuna em dinheiro. O que seria o mais recomendável a fazer? Se fingir de morta e dar o mínimo possível de bandeira, certo? Mas não é isso o que acontece. Teodora sai comprando roupas caras e dando presentes para seu filho. Qualquer pessoa faria isso, mas não em Fina Estampa. Parece que a personagem pede para ser descoberta.
Cenas de amor de Renata Sorrah
Quando chega a hora da médica Danielle (Renata Sorrah) dar uns amassos em Enzo (Júlio Rocha), a vergonha alheia é generalizada. O ator ativa o modo “cafajeste canastrão” e começa a dizer um monte de frases feitas que são engraçadas de tão absurdas. Só falta o garotão recitar alguma música erótica do cantor Wando para a festa ficar completa.
Rodrigo Hilbert como cientista
E para terminar, Rodrigo Hilbert como neurocientista não dá, né? Não adianta simplesmente colocar óculos no sujeito para que ele passe credibilidade. A vida não é fácil assim.
*Odair Braz Junior é crítico do R7 e suas opinões não refletem necessariamente as do portal.